Estilos de Liderança para a Nova Economia

Novos cenários requerem novas formas de pensar. O que servia até agora, não serve mais. “Mas sempre deu certo”, dirá alguém. Mais ou menos como pensavam os adversários da fabulosa seleção holandesa da Copa de 74. O time, apelidado de Laranja Mecânica ou Carrossel Holandês, ficou famoso por triturar os adversários com um esquema de jogo então revolucionário: jogadores sem posição fixa, marcando e atacando em bloco, em alta velocidade. Naquele momento ficou claro para todos os outros times que os esquemas tradicionais, que “deram certo até agora”, não serviriam mais.

Corta para o cenário econômico atual. O mundo VUCA, com sua volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, exige uma nova postura, um novo mindset e, por certo, uma Nova Liderança. Capaz de conduzir as empresas e negócios com o máximo de estabilidade possível dentro dos novos cenários. Flexível o suficiente para mudar rumos de forma pragmática e ágil. Visionário para antever o que precisa ser feito e onde se quer chegar.

OS VELHOS MODELOS

Antes de falar desta nova liderança, vamos começar pelo outro lado: que modelos NÃO queremos mais? Existem três líderes básicos que devem ficar no passado:

  • Líder Autoritário ou liderança coercitiva: é o  “patrão” clássico, que manda, não admite questionamento, sua palavra é lei. Quer tudo para ontem e ai de quem não cumprir a meta. O gerenciamento é por imposição, por coerção e até ameaças. É um tipo de liderança que não encontra mais resposta, principalmente por parte dos profissionais do conhecimento;
  • Líder Modelador: este é um modelo ainda bastante comum nas empresas. Mesmo que delegue funções – o que aparenta um mindset mais colaborativo -, no fim das contas é ele quem decide como tudo deve ser feito. Ou seja, é apenas uma delegação de tarefas, sem liberdade e empoderamento da equipe para criar e entregar resultados. Em algum momento, o Líder Modelador acaba dizendo: deixa que eu faço, porque eu faço melhor que os outros”. Desta forma, acaba frustrando o time e impedindo que a Organização se beneficie da inteligência coletiva;
  • Líder Afiliativo: ainda pode ser útil em alguns contextos (muito mais interessante seria uma competência desenvolvida pelo líder ideal) pela capacidade de ser “algodão entre cristais” e agir politicamente. No entanto, como não costuma decidir, é péssimo para um cenário de redução do lead time operacional ou tomada rápida de decisões. Costuma se dar bem com todo mundo, mas evita conflitos. Seu mindset é o “deixa estar para ver como fica”. Enfrenta problemas com … reuniões, que raramente levam a algum desfecho, pois sempre é preciso ouvir mais alguém, observar algum fator, “entender” a cultura…

NOVAS LIDERANÇAS

Agora que já vimos os modelos de  líderes que precisam ser relegados aos museus e livros de história, vamos aos modelos que devem ser buscados para fazer frente aos novos desafios do mundo VUCA:

  • Líder  Visionário: é ele que inspira a mudança, a transformação. Está sempre no cenário futuro, olhando para onde se quer chegar. É desbravador, aponta caminhos, parcerias e fios condutores para atingir a Visão de futuro da organização. No entanto é um líder que, sozinho, não realiza. Por ser mais abstrato que os outros, precisa da companhia de dois tipos de líderes a seguir;
  • Líder Coach:  este é um modelo que tem a ver com o Movimento Agile, surgido em 2001, mas que já é recomendado há . Bebe na fonte do pensamento enxuto, do modelo Toyota de produção, que virou o pensamento Lean. É o professor, o mestre, aquele que desenvolve o time. Auxilia os indivíduos a ampliar conhecimentos, atitudes e estados emocionais. Por mais paradoxal que possa parecer, um Coach trabalha para se tornar desnecessário para o time, que já caminha – ou corre – pelas próprias pernas;
  • Líder Participativo: é a antítese do modelador. Delega e estimula o time, dando poder à equipe mas não  para fazer o que ele quer, mas para que todos entendam os problemas e concebam soluções.

A todos estes modelos desejados, uma característica comum se faz necessária para inspirar e motivar as equipes: ser exemplo. Não basta falar e ter ótimos planos e visões. É preciso liderar pelo exemplo, se renovando e reciclando permanentemente.